Confira a sinopse do enredo 2018 da Lins Imperial

20 06 2017

Logo do enredo 2018

Confira a sinopse do enredo 2018 da Lins Imperial

 

ZICARTOLA

 

Abrem-se as portas do Zicartola. De repente, a multidão que estava aglomerada, depois de algumas horas de espera, consegue entrar. Também pudera, o bar é a coqueluche do momento. As longas filas são costume, mas só de conseguir ouvir A Voz do Morro, desde a rua dos Andradas, já nos dá uma boa ideia do que nos espera. Pés adentro, caminhamos entre as várias mesas espalhadas e nos sentamos escorados na parede ilustrada pelas fotos dos artistas que por aqui passam. Da porta da cozinha de dona Zica advém o delicioso cheiro de sua comida caseira e pelos ouvidos somos tomados pelas melodias cantadas pelos velhos sambistas.

E é ela que vem nos receber, dando as boas vindas e entregando o singular cardápio, ilustrado e assinado pelo característico HP de Heitor dos Prazeres. Até os nomes dos petiscos são detalhes à parte, como o docinho de coco à Eliseth Cardoso. Fazemos o pedido enquanto vejo Carlos Cachaça honrar o sobrenome. Chega à nossa mesa carne seca com abóbora, língua com purê de batata, feijão, sopa e pimenta. E sobe mais um no palco e desce mais cerveja pra gente.

E não demora pra percebermos que o Zicartola é muito mais que comida e samba. Aqui de tudo Acontece. Enquanto Clementina entoa jongos e lundus, Manelzinho Araújo toca choros, Nara Leão traz a bossa nova e João do Vale canta baiões e xaxados. Um mosaico da música popular brasileira. E num canto, Hermínio Bello de Carvalho lança seu novo livro. Outro dia, o lugar até sediou a festa de casamento do par que dá nome à casa. E dá gosto de olhar pros lados e ver essa mistura de gente: rapazotes estudantes conversando com antigos compositores, a turma da Zona Sul cantando com o povo da Zona Norte, gente de jeans com outros de terno e gravata. Um verdadeiro caldeirão multicultural.

Mas por maior que seja a esbórnia do recinto, o som do Zicartola não abafa o grito silenciado das ruas, em tempos de repressão. Pelo contrário. Aquilo que entra por nossa goela abaixo, passa a nos doer a cabeça e se torna ressaca (moral). No meio da farra, tomo um susto com o Vianinha, que sobe numa mesa e brada contra o governo retrógrado vigente, enquanto Sérgio Cabral protesta em favor dos desempregados. E as músicas vão ampliando seus significados, cantando a verdade que não pode ser dita. Dura a censura.

O ponteiro do relógio avança e como tudo que é bom dura pouco, quando me dou conta, já é tarde. O Sol Nascerá em instantes. Vou, junto dos meus, com sorriso no rosto, me despedir dos já cansados de tanto trabalho, Zica e Cartola, e pagar a conta, é claro, mas o divino não deixa.

– Amigo meu não paga – sentencia o poeta

– Obrigado, mestre. Mas que isso não se torne hábito. Assim vai acabar falindo – advirto enquanto me despeço.

E as portas tristemente se fecham. Mas ficam as portas abertas para os talentos que lá despontaram, as canções que de lá saíram para ganhar o país. Prevalece a voz que se deu à Opinião. E assim o Zicartola permanece vivo, sobretudo a cada vez que nos reunimos para reviver aquelas noites de alegria. Você também é nosso convidado. Pode chegar, fique à vontade.

 

Texto: Tiago Ribeiro

Comissão de Carnaval: Claudio Fontes, Flávio Mello e Tiago Ribeiro.

Geissa Evaristo
Assessora de Imprensa
SRES Lins Imperial

Sinopse 2018 (1)

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: